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Como um netbook de 2012 abriu conversas no ConectaPR 2026

Sem estande e fora do Demoday, levei um netbook de 2012 ao ConectaPR 2026 para apresentar a Guilda de Aventureiros, anotar ideias com IA e transformar curiosidade em conversa.

Eu não estava no palco do Demoday. Também não tinha um estande no ConectaPR 2026. Então fui ao evento com outra estratégia: caminhar, observar, conversar e carregar um netbook de 2012 que parecia ter escapado de uma vitrine de museu.

Ele tinha carcaça bege, moldura azul, tela touch que gira na horizontal e se transforma em tablet. Não era discreto. Pelo contrário: parecia gritar “eu sou de 2012, o que estou fazendo aqui?”.

Era exatamente esse o ponto.

Netbook branco e azul de 2012 sobre uma mesa, com a tela girada para frente exibindo no Paint uma apresentação da Guilda de Aventureiros e um QR code.
O netbook de 2012 usado para apresentar a Guilda e registrar ideias durante o ConectaPR.

Uma máquina antiga como estratégia de conexão

O netbook não foi ao ConectaPR apenas por nostalgia. Nele, eu mostrava uma apresentação da Guilda de Aventureiros com visual inspirado em um print do Paint e usava ferramentas de IA para registrar ideias no meu servidor doméstico, com o Codex acessado por SSH.

O contraste funcionou como um filtro natural. Quem se aproximava não chegava por obrigação de networking: chegava porque tinha uma pergunta genuína. “O que é isso?” “O que você tem aí?” “O que essa máquina está fazendo aqui?”.

Cada uma dessas perguntas abria uma conversa sobre tecnologia, produto, inteligência artificial, turismo, jogos, servidores caseiros e, naturalmente, sobre a Guilda e a LuneBox.

No primeiro dia, caminhei pelo evento durante cerca de seis horas. No encerramento das atividades, o netbook ainda tinha 5% de bateria. Para uma máquina de 2012, foi um pequeno feito de resistência — e uma lembrança de que tecnologia não precisa ser sempre a mais recente para criar conexão.

Quando não há estande, a conversa é o produto

O ConectaPR 2026 foi realizado pelo Sebrae/PR em Curitiba nos dias 24 e 25 de julho, sob o conceito “Onde encontros viram ação”. Sem uma estrutura fixa, a participação da Guilda foi móvel: circular pelos espaços, entender o que estava acontecendo e apresentar a jornada quando surgia uma conexão real.

Essa forma de estar no evento permitiu conversas que talvez não acontecessem em uma agenda fechada. A apresentação da Guilda não começava por um pitch decorado. Começava pelo objeto estranho na mochila e evoluía conforme o interesse de cada pessoa.

Conversas que já têm próximos passos

Um dos destaques do primeiro dia foi a conversa com Leonardo e Camila, da Hotmilk PUC-PR, sobre uma possível incubação da startup. A Guilda está em fase de validação, e discutir ambientes de incubação ajuda a transformar hipóteses em uma trilha mais concreta de produto, mercado e estruturação.

Também conversei com Rhoger, desenvolvedor de jogos da Ankouz Studios. Para uma iniciativa que trabalha turismo urbano, narrativa e gamificação, trocar experiências com quem constrói jogos é uma forma valiosa de aproximar design de produto, engajamento e linguagem de público.

Com Dornelles, consultor do Sebrae, a conversa foi sobre editais e fomento à inovação. A recomendação foi olhar com atenção para chamadas da Finep e para o planejamento de longo prazo necessário para participar de programas de apoio, pesquisa aplicada e desenvolvimento tecnológico.

Esses encontros não terminam no evento. Todos terão retorno pós-Conecta. Essa é a parte mais importante da frase “encontros viram ação”: a conversa só ganha valor quando continua em uma reunião, uma apresentação, uma proposta ou um experimento.

Quatro participantes do ConectaPR posam diante de uma grande estrutura circular iluminada em roxo, com faixas coloridas no piso do espaço do evento.
Conversas e conexões durante o ConectaPR 2026, em Curitiba.

Uma estratégia de fomento para um ecossistema de produtos

A Guilda de Aventureiros faz parte de um ecossistema maior, a LuneBox. Por isso, a conversa sobre fomento não se limita a uma única aplicação: ela conecta projetos em diferentes estágios de maturidade, de turismo e mobilidade a GovTech, jogos e plataformas digitais.

Entre as frentes em andamento ou em preparação estão:

  • o Programa Centelha 3 Paraná, no qual o projeto Kur-yt-yba — Antes de Nós foi submetido;
  • o Hub GovTech Paraná, com o Dados-Turismo habilitado na Fase 0 do programa de aceleração e a ConcilWorks — antes documentada como DTI Platform — em preparação para a trilha de incubação;
  • a Chamada Pública SETI/Fundo Paraná — AGEUNI, na qual a Guilda participa como demandante da Demanda 42, sobre mobilidade inclusiva e sustentável;
  • o edital Mais Turismo, do Itaipu Parquetec, acompanhado como oportunidade de inovação aplicada ao turismo;
  • a intenção de avaliar a aderência ao iFood Chega Junto, iniciativa voltada a projetos de inovação social com impacto na vida de entregadores e de suas comunidades.

Cada uma dessas portas tem objetivos, regras e estágios próprios. Estar inscrito, habilitado ou em articulação não significa ter recurso aprovado nem produto pronto. Significa manter uma rotina de busca por caminhos que combinem com cada problema, cada equipe e cada momento de maturidade.

Workshop de TravelTech e novas possibilidades

O segundo dia do ConectaPR ficou marcado pelo workshop sobre TravelTech. A conversa ampliou a leitura sobre tecnologia no turismo: não se trata apenas da jornada do viajante, mas também de dados, sustentabilidade, eficiência operacional, acessibilidade e novas relações entre hóspedes, atrativos e comércio local.

A partir das discussões sobre TravelTech, surgiu uma proposta de piloto de experiência cultural para hóspedes em hotel, usando o turismo literário como primeira porta de entrada. Essa proposta ainda está em articulação e validação, mas reforça uma ideia importante: uma conversa de evento pode revelar um problema específico e abrir espaço para testar uma solução real.

Depois do workshop: a Guilda em conversa

Depois do workshop, as conversas com outros participantes abriram espaço para apresentar a Guilda de Aventureiros e sua jornada. Nesse momento, falamos tanto sobre o envolvimento da LuneBox em projetos de acessibilidade quanto sobre a relação da Guilda com o público geek, a narrativa e a gamificação.

Um livro para continuar a conversa

Na chegada ao evento, recebi a segunda edição de Eu, Empreendedor, de Léo Mack, publicada pela Editora Gente. O subtítulo já conversa com o momento de muitas pessoas que estavam ali: “um guia de empreendedorismo para você que ama o que faz, mas não sai do lugar”.

O livro entra na fila de leitura e será assunto de uma publicação própria. Por enquanto, ele funciona como um bom lembrete do espírito do ConectaPR: gostar de uma ideia é o começo; colocar essa ideia em movimento exige conversas, testes, foco e continuidade.

A presença que eu queria construir

Saí do ConectaPR com contatos, possibilidades de retorno e novas perguntas. Mas saí principalmente com uma confirmação: presença em um evento de inovação não depende apenas de ter um estande ou estar no palco.

Às vezes, ela começa com uma máquina antiga, uma apresentação imperfeita, um servidor em casa e disposição para explicar o que você está construindo. O netbook chamou atenção. As conversas mostraram o que pode acontecer depois.